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Data: 14/01/2019
Imagem retirada de https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2019/01/14/internas_economia,730634/desaceleracao-da-economia-global-deixa-brasil-atraente-para-investidor.shtml Imagem retirada de https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2019/01/14/internas_economia,730634/desaceleracao-da-economia-global-deixa-brasil-atraente-para-investidor.shtml

A expectativa de desaceleração da economia mundial em 2019 tem feito investidores internacionais voltarem os olhos para países que ofereçam boas condições para a aplicação de recursos. Nesse quadro, o Brasil, entre os países emergentes, ganha destaque. A orientação liberal da equipe econômica do novo governo é bem-vista pelo mercado, e muitos países que poderiam disputar espaço com a economia brasileira pelo direcionamento de recursos globais estão em situação menos favorável. O México, por exemplo, também acaba de empossar um novo presidente. López Obrador, porém, é ideologicamente de esquerda, o que provoca receio entre grandes bancos e empresas.

O foco em mercados emergentes não é à toa. Em dezembro passado, analistas passaram a cogitar até mesmo a possibilidade de os Estados Unidos entrarem em recessão neste ano. A preocupação parece exagerada, tendo em vista os últimos dados da maior economia global — em dezembro, foram criadas 312 mil novas vagas de trabalho, bem acima das expectativas, o que fez a taxa de desemprego recuar para 3,9%. De qualquer modo, a guerra comercial iniciada por Donald Trump contra a China começa a afetar estruturas produtivas do país, aumentando a sensação de incerteza, num momento em que o embate do presidente com a oposição em torno do orçamento provoca a paralisação de diversos órgãos governamentais.

A cautela com o desempenho econômico norte-americano contagiou o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA). Divulgada na semana passada, a ata da última reunião do órgão destacou que a evolução da política monetária do país andará de lado com a atividade econômica. Dessa forma, o Fed, que anunciou quatro aumentos de juros no país em 2018, deverá ser mais ponderado neste ano, de forma a não prejudicar uma tendência de  crescimento que deve, naturalmente, sofrer alguma desaceleração.

Opções
Com o receio acerca dos EUA, os emergentes tornam-se opções para alocação de recursos. Antecipando-se a essa tendência, o Ibovespa, índice que mede a lucratividade das principais ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), acumulou valorização de 15,03% em 2018, enquanto a Bolsa Mexicana de Valores (BMV), no mesmo período, teve perda de 13,3%.

Países como Argentina, Turquia, África do Sul, Índia e Malásia também disputam a atenção dos investidores globais. Porém, de acordo com o economista César Bergo, a conjuntura doméstica é mais favorável. “Eu não me surpreenderia se, em uma próxima reunião, o Copom (Comitê de Política Monetária) optasse por reduzir a taxa Selic. Assim, em um ano de inflação sem reação e juros baixos, o mercado de renda variável desponta como promessa”, afirma.

Bergo ainda destaca as recentes baixas das bolsas norte-americanas. Os índices Dow Jones, do setor industrial, Nasdaq, de tecnologia, e S&P500, que abarca as maiores empresas, tiveram um ano difícil em 2018, puxado, principalmente, pela previsão de redução da demanda global. “Os EUA estão, ultimamente, à sombra da recessão, ou seja, o volume de recursos que busca uma alternativa vai aumentando para outros mercados, com o Brasil na rota”, disse. “Nosso país ainda tem muita capacidade ociosa. Passamos por quase três anos de recessão, ou seja, a indústria está ávida por produzir, o que pode não ocorrer em outros países”, completa Bergo.

Fernanda Consorte, estrategista de Câmbio do Banco Ourinvest, pondera que, apesar de o Ibovespa ter alcançado nova marca de fechamento na semana passada, com 93.658 pontos, o otimismo do investidor local é que tem movido a bolsa. “Os fluxos financeiros captados pelo BC e pela B3 mostram o investidor estrangeiro saindo do Brasil, ou seja, o bom humor está sendo feito pelos locais”, explica. Segundo Fernanda, a volta do estrangeiro depende da execução das reformas anunciadas pelo governo.

Os dados do mercado de câmbio sustentam a análise da economista. Em que pese a recuperação mostrada nas últimas semanas, o real se desvalorizou 14,66% frente ao dólar norte-americano em 2018. Foi a terceira maior perda entre as moedas emergentes, atrás apenas da lira turca (28,25%) e do peso argentino (50,57%). Já o México viu o peso mexicano avançar 0,11% frente ao dólar.

Condições favoráveis
Para Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, o país desponta como fonte de investimento para quem opera no mercado em virtude da orientação econômica do governo Bolsonaro. “O Brasil elegeu um governo de linha liberal, que é amigável ao investimento. Isso é um fator muito importante. Já do ponto de vista político, é um país pacificado. Claro que há divergências naturais, mas são canalizadas de maneira pacífica”, analisa.

Freitas pondera que, apesar de as condições já não serem tão favoráveis como as dos anos 2000, as perspectivas internacionais ainda são positivas. “O mundo não está adverso. Naturalmente, os Estados Unidos podem contrair um pouco, assim como a China crescer 6,5%, e não 12%, como outrora. Aliam-se a isso os movimentos protecionistas do presidente Trump, mas a economia brasileira está pronta para decolar, com juros baixos e inflação controlada, porém, com a necessidade da correção do deficit público e da redução do desemprego”, afirma

Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset, diz que o Brasil representa a melhor oportunidade de investimentos neste primeiro semestre entre os emergentes, mas a Índia é forte competidora pela captação de recursos. “A Índia apresentou, nos últimos anos, forte crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Muitos investidores chegam a chamar a região de “Chíndia”, em alusão ao país de Xi Jinping”, e esperam que a economia indiana, que cresceu 6,7% em 2017, tenha avanço comparável ao da China na década de 2000, observa.

Potencial
Para Spyer, o desempenho da bolsa mexicana está atrelado à evolução da economia norte-americana. “O México pode voltar a atrair recursos, mas dependerá, principalmente, dos EUA, e a expectativa é de que o PIB norte-americano desacelere. Eu não me preocupo muito com os EUA. Na minha cabeça, fazendo os ajustes nas contas públicas, o Brasil tem maior potencial para atrair investimentos”, compara.

Além disso, Spyer vê no Brasil um potencial de privatizações de empresas públicas que não existe em outros países emergentes. “Economias como Argentina, Turquia, África do Sul, mesmo a Índia, não possuem um programa de privatização forte e não têm capacidade de atrair recursos como nós. O Brasil é a melhor oportunidade de investimentos para emergentes em 2019”, destaca.

Freitas, ex-diretor do BC, destaca a semelhança das economias mexicana e brasileira. “O México tem algumas condições semelhantes, e outras diferentes. Aqui, na América do Sul, o Chile também tem um caminho bom e equilibrado, mas é uma economia pequena quando comparada à nossa. No continente africano, a África do Sul não anda muito bem no momento, nem a Turquia, no continente europeu”, diz.

fonte: Correio Braziliense, escrita por Gabriel Ponte (com supervisão de ODail Figueiredo)

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